Alto custo de energia é um dos gargalos da indústria do alumínio

Apesar de o mercado interno de alumínio estar em franco crescimento nos últimos cinco anos no Brasil (9,8% ao ano), a indústria sofre com a pressão de custos de produção, com a perda de competitividade e com a ameaça crescente de produtos importados. Questões como estas foram debatidas no painel O Futuro da Indústria Brasileira do Alumínio por presidentes das principais empresas de alumínio primário e de transformação, em 24 de abril, durante o “V Congresso Internacional do Alumínio”.

 

No ano passado, o consumo doméstico de produtos transformados de alumínio foi de 1,4 milhão de toneladas, 8,2% a mais do que em 2010. A expectativa deste ano é de um aumento de 4,8% atingindo a marca de 1,5 milhão de toneladas. Em contrapartida, a produção de alumínio primário das principais fabricantes caiu 6,2% chegando a 1,44 milhão de toneladas.

 

O crescimento de consumo doméstico de alumínio levará o País a triplicar o consumo de alumínio até 2025. A ocasião traz enormes oportunidades, mas também desafios. “O alto custo da energia, insumo que representa hoje quase metade dos gastos com transformação do alumínio, pode comprometer a produção local da empresa”, destacou Franklin Feder, CEO da Alcoa América Latina e o Caribe.

 

Nos últimos seis meses o preço do metal caiu cerca de 30%, globalmente, e segundo o executivo, é nesse contexto que a Alcoa decidiu reduzir sua produção, mas retirou o Brasil da lista de cortes por 60 dias, período que o governo se comprometeu a tentar sanar os problemas relacionados à competitividade do setor. Em junho, “caso haja a decisão de diminuir a produção da unidade de Poços de Caldas (MG), deve haver uma transferência de capacidade para a de São Luís (MA), que produz atualmente 450 mil toneladas”, explicou.

 

Para João Bosco da Silva, diretor-superintendente da Companhia Brasileira de Alumínio (VM – CBA), a incerteza sobre a renovação de concessões de energia elétrica também é uma grande preocupação da empresa, que tem 85% desse insumo utilizados oriundos de geração própria.

 

Já Luis Jorge Nunes, presidente da Albras, afirmou que, desde quando a empresa foi instituída, a missão era exportar. Entretanto, agora a prioridade é atender ao mercado interno. “Sem uma tarifa de energia mais competitiva, ninguém consegue se manter no setor”, revela.

 

Importações

 

As dificuldades de fornecimento de alumínio para a produção também são enfrentadas pelo maior consumidor do metal no Brasil e no mundo, a Novelis. De acordo com Marco Antonio Palmieri, presidente da Novelis América do Sul, a produção chega a 175 mil toneladas por ano, compradas de terceiros, mesmo com abastecimento próprio na planta de Ouro Preto (MG). “É importante que a matéria-prima esteja disponível na hora que queremos. Se tivermos que ir buscar lá fora, vai encarecer o produto”, comenta.

 

Compromisso com o setor


“Há uma grande ociosidade nos parque industriais do alumínio e uma solução para alavancar o setor são incentivos do governo”, avalia Paulo Magalhães, vice-presidente da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). “O Brasil precisa aprender a motivar, assim como a China, e, consequentemente a desenvolver a indústria”.

 

Representando o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Mauro Borges Lemos, enfatizou que o governo está solidário à indústria do alumínio e busca soluções para melhorar a competitividade do setor. “Entre as prioridades do ministério estão avaliar o custo da energia elétrica e a solução da Guerra dos Portos, além de reduzir a volatilidade do câmbio”, resume.

 

O V Congresso Internacional do Alumínio ocorreu de 24 a 26 de abril no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, simultaneamente com o XI Seminário Internacional do Alumínio e ExpoAlumínio 2012, organizados pela Abal.

 

Fonte: ABMNEWS

 

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